A doação de órgãos é um tema que envolve emoção, dúvidas e decisões difíceis, mas também representa uma das maiores expressões de solidariedade humana. Mesmo após a perda de um familiar, esse gesto pode significar vida, esperança e qualidade de vida para outras pessoas que aguardam por um transplante.
No Brasil, apesar de existirem manifestações de vontade registradas em documentos ou declarações feitas em vida, a legislação é clara: a autorização para a doação de órgãos sempre depende da decisão da família. Por isso, a informação e o diálogo ainda em vida são considerados fundamentais para que esse desejo seja respeitado.
Cada doador pode beneficiar até oito pessoas, seja com a doação de órgãos ou tecidos. Em um cenário nacional marcado por longas filas de espera, dificuldades de compatibilidade e o tempo como fator decisivo, a autorização familiar pode representar a única chance para muitos pacientes.
Para esclarecer como esse processo funciona na prática, o Portal da Cidade conversou com a vereadora de Canoinhas, Kátia Oliskowski, que também é enfermeira e atuou por vários anos como secretária municipal de Saúde. Segundo ela, mesmo que a pessoa manifeste sua vontade previamente, “a palavra final sempre será da família”.
A vereadora reforça que conversar com os familiares ainda em vida é o principal passo. “É importante deixar claro esse desejo, falar abertamente sobre isso e também registrar essa vontade, para que a família tenha segurança no momento da decisão”, afirma.
Kátia também destaca que o fato de morar no interior não impede a doação. Embora existam desafios logísticos, a região tem avançado nos últimos anos. Em Canoinhas, por exemplo, o Hospital Santa Cruz já realiza a captação de tecidos, como córnea e pele, e, quando necessário, há encaminhamentos para centros especializados, sempre com orientação adequada à família.
Para ela, além do impacto direto na vida de quem recebe o órgão, a doação também pode ajudar no processo de luto. “É confortante saber que parte de quem você ama continua vivendo em outra pessoa. Isso transforma a dor em um gesto de amor e continuidade.”
Em um país onde milhares de pessoas ainda aguardam por um transplante, falar sobre doação de órgãos é mais do que necessário: é um ato de responsabilidade social. Conversar, informar e decidir em vida pode ser o passo que faltava para salvar outras vidas amanhã.